segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Combinei comigo de não desistir de mim!
Eu realmente tenho problemas com o fato de precisar de remédio, fora que além da tag devo ter algo com bipolaridade...
Desde que voltei ao médico, ele me receitou velija 60mg, e enquanto eu tomava, percebi algumas melhoras.
Primeiro no fato de não estar mais constantemente irritada, aliás, eu nunca mais havia ficado irritada... Segundo as dores musculares haviam minimizado vezes mil, restando apenas um leve resquício de dor. Mas a ansiedade, o esquecimento, a falta de concentração e a insônia ainda reinavam, apesar de eu estar extremamente satisfeita com a nova medicação (dentre os mil efeitos que a tag traz consigo)...
Mas aí eu voltei com meus pensamentos malucos sobre precisar de remédio, sobre ter 24 anos e ter que tomar remédio para dormir, de não mais conseguir controlar a minha mente, sobre eu ser muito nova para tudo isso, de ter expectativa de uma carreira brilhante e só pensar no fato de ficar a vida inteira na cama...
Pra variar? Larguei (quase) tudo. Remédio para dormir, remédio para ansiedade, larguei o psiquiatra. Permaneço apenas com a terapia, mesmo mentindo para a psicóloga. Ela não sabe que parei os remédios, não sabe o que, de fato, eu sinto... Eu tenho vergonha de quem sou, tenho vergonha do que as pessoas pensam sobre mim, tenho pavor ao pensar no que elas pensam e comentam sobre mim.
E hoje tive uma crise e chorei, desesperadamente. Tanto que não não consegui respirar direito...
Na hora quis fugir, quis correr, gritar, chorar ali mesmo, na sala de audiências. E, como diriam aqui onde vivo "desandou a maionese".
Eu não pude fugir, eu estava realizando uma audiência. Eu não pude chorar, pois estava no meio do interrogatório do acusado, e as perguntas seriam minhas. E não consegui mais continuar, nem lembro como parei, só "parei". Me senti uma criança morrendo de vergonha por ser repreendida pelo professor no meio da aula e na frente dos coleguinhas. E não tiro isso da minha cabeça desde então, mesmo que já tenha se passado cerca de 10 horas...
Estive prestes a surtar, no meio de uma audiência.
Por isso às vezes tenho vontade de gritar ao mundo sobre o que sinto, e como sinto... Em como meu cérebro trabalha, macula, imagina, cria coisas que jamais acontecerão... Para que as pessoas compreendam que eu posso falar besteiras, que eu posso parecer meio louca, que posso surtar. E fico sempre pensando: e se eu surtar?!
Eu não quero afastar meu noivo, eu não quero que ele desista de mim, nem eu quero desistir... Mas no fundo me sinto a bolachinha quebrada no meio do pacote, entre as outras "perfeitas".
Não consigo me consertar... Estou em cacos.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Um simples desabafo...
Tenho 24 anos e, há alguns anos atrás, chegar onde cheguei era tudo o que eu queria. Eu sou o tipo de pessoa que a vida inteira sabia o que seria: advogada. Sempre fui estudiosa, dedicada, e passei na OAB ainda na faculdade. Com 23 anos estava formada e havia me tornado advogada. Mas sempre havia um buraco, uma angústia, um tédio, que, muitas vezes, me fazia ter vontade de sumir, de correr, de desistir. Fui procurar ajuda somente quando o corpo não mais aguentou, e eu achando que era só o meu corpo...
Estou em terapia e tratamento psiquiátrico, mas muitas vezes tenho vontade de largar os remédios e "viver à própria sorte". Já pensei mil vezes que assim não quero viver, que não vale a pena... Mas ao mesmo tempo que tenho esses pensamentos, também penso que preciso dos remédios, que não consigo mais sozinha, que não tenho mais controle sobre a situação. Estou realmente saturada dessa luta diária contra o TAG... Cansada de crises depressivas, crises de pânico, da minha irritação diária, da minha insônia, da minha gastrite, do meu cansaço corporal e cerebral, de ganhar cada vez mais peso, das pessoas não entenderem como me sinto, de me acharem fraca, de palpitarem, de me dizerem: "tenha força de vontade, a vida é cheia de problemas", entre muitas consequências que o TAG traz consigo... Não consigo mais sequer me recordar de quem eu era antes do TAG, além dos sonhos que eu tinha e que hoje parecem não mais fazer sentido algum.
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