quarta-feira, 2 de setembro de 2015

DESABAFO DA MADRUGADA

Eu tenho uma família maravilhosa, um pai lindo e estudioso, uma mãe dedicada e muito esperta, uma irmã mais velha psicóloga e compreensiva e uma irmã mais nova linda e geniosa... Eu tenho 24 anos, sou sócia do escritório de advocacia do meu pai, moro com ele e trabalho na matriz do escritório com nosso outro sócio, enquanto meu pai trabalha em duas filiais e nosso outro sócio ainda cuida da terceira filial, ou seja, só eu que trabalho o dia inteiro no mesmo escritório e que fica na nossa casa (ainda moro com meu pai). Mesmo que pareça, nunca fui filhinha de papai. Eu e minha irmã ganhamos nossa faculdade, mas cada centavo a mais pagamos com nosso dinheiro... Eu trabalhei com meu pai a faculdade inteira mas nunca recebi "salário"... Ele sequer nos deu carteira de motorista, cada uma se virou para pagar com seu dinheiro. Hoje eu advogo faz 1 ano e 5 meses, consegui comprar um carro faz um ano (um palio ano 2000) e agora eu e meu noivo estamos construindo a primeira parte de nossa casa... Raríssimas pessoas sabem do meu problema, e, pra quem daqui que ainda não sabe, eu tenho transtorno de ansiedade generalizada, que gerou síndrome do pânico e transtorno depressivo maior... Certa vez tentei falar para uma "amiga", e ela me disse que eu "deveria ser forte", que isso é "só coisa da cabeça". Jamais voltei a tocar no assunto e, quando sofri uma crise inversa de ansiedade, ela me chamou de louca. Ai tentei comentar com outra amiga... sem chance, pra ela "isso é doença de quem não tem o que fazer, aliás, nem é doença!"... Novamente sem apoio. Por ter uma família maravilhosa, nunca cogitei a hipótese de contar pra ninguém... Aliás, minha mãe me levou na primeira vez ao psiquiatra, eu estava tão mal que nem conseguia dirigir (e na minha cidade não tem médico especialista de área nenhuma)... Mas ela tenta fingir que nada é, exceto quando entro em crise. Minha irmã é psicóloga, mora do outro lado do mundo e é literalmente meu anjo da guarda. Pra ela eu consigo contar toda e qualquer coisa, ela não me julga, ela me aceita! De outro lado tenho meu noivo... Eu tento a cada dia explicar pra ele sobre isso, sobre o inferno astral que é viver sem dormir direito por 15 noites seguidas, por passar noites inteiras em claro, mas ele deita pro lado e dorme, nem percebe quando e quantas vezes levanto morrendo de tédio... E ainda tenho medo de perdê-lo. Eu o amo tanto, e chega a doer. Sei que ele me ama, mas penso que talvez isso um dia acabe por causa da minha loucura... E fico pensando: e se? Enfim, ainda tenho Deus... Creio e confio no que ele guarda pra mim. De todas as meninas aqui, sei que parece ínfimo meu problema, aliás, é só meu... Mas sofro muito julgamento... Sabem pq? Por, aparentemente, ter uma vida perfeita, por "não ter motivos para ter problemas psicológicos", por ter uma família saudável (minha mãe é bem mais magra que eu), uma família feliz, que me apoia, me ajuda, como eu poderia ter problemas?! Estou sem dormir a noite inteirinha, faz eras que não durmo direito... meu corpo está cansado, minha mente mais ainda, mas nada desliga... Enfim, só quero um tiquinho de paz...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Combinei comigo de não desistir de mim!

Eu realmente tenho problemas com o fato de precisar de remédio, fora que além da tag devo ter algo com bipolaridade... Desde que voltei ao médico, ele me receitou velija 60mg, e enquanto eu tomava, percebi algumas melhoras. Primeiro no fato de não estar mais constantemente irritada, aliás, eu nunca mais havia ficado irritada... Segundo as dores musculares haviam minimizado vezes mil, restando apenas um leve resquício de dor. Mas a ansiedade, o esquecimento, a falta de concentração e a insônia ainda reinavam, apesar de eu estar extremamente satisfeita com a nova medicação (dentre os mil efeitos que a tag traz consigo)... Mas aí eu voltei com meus pensamentos malucos sobre precisar de remédio, sobre ter 24 anos e ter que tomar remédio para dormir, de não mais conseguir controlar a minha mente, sobre eu ser muito nova para tudo isso, de ter expectativa de uma carreira brilhante e só pensar no fato de ficar a vida inteira na cama... Pra variar? Larguei (quase) tudo. Remédio para dormir, remédio para ansiedade, larguei o psiquiatra. Permaneço apenas com a terapia, mesmo mentindo para a psicóloga. Ela não sabe que parei os remédios, não sabe o que, de fato, eu sinto... Eu tenho vergonha de quem sou, tenho vergonha do que as pessoas pensam sobre mim, tenho pavor ao pensar no que elas pensam e comentam sobre mim. E hoje tive uma crise e chorei, desesperadamente. Tanto que não não consegui respirar direito... Na hora quis fugir, quis correr, gritar, chorar ali mesmo, na sala de audiências. E, como diriam aqui onde vivo "desandou a maionese". Eu não pude fugir, eu estava realizando uma audiência. Eu não pude chorar, pois estava no meio do interrogatório do acusado, e as perguntas seriam minhas. E não consegui mais continuar, nem lembro como parei, só "parei". Me senti uma criança morrendo de vergonha por ser repreendida pelo professor no meio da aula e na frente dos coleguinhas. E não tiro isso da minha cabeça desde então, mesmo que já tenha se passado cerca de 10 horas... Estive prestes a surtar, no meio de uma audiência. Por isso às vezes tenho vontade de gritar ao mundo sobre o que sinto, e como sinto... Em como meu cérebro trabalha, macula, imagina, cria coisas que jamais acontecerão... Para que as pessoas compreendam que eu posso falar besteiras, que eu posso parecer meio louca, que posso surtar. E fico sempre pensando: e se eu surtar?! Eu não quero afastar meu noivo, eu não quero que ele desista de mim, nem eu quero desistir... Mas no fundo me sinto a bolachinha quebrada no meio do pacote, entre as outras "perfeitas". Não consigo me consertar... Estou em cacos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Um simples desabafo...

Tenho 24 anos e, há alguns anos atrás, chegar onde cheguei era tudo o que eu queria. Eu sou o tipo de pessoa que a vida inteira sabia o que seria: advogada. Sempre fui estudiosa, dedicada, e passei na OAB ainda na faculdade. Com 23 anos estava formada e havia me tornado advogada. Mas sempre havia um buraco, uma angústia, um tédio, que, muitas vezes, me fazia ter vontade de sumir, de correr, de desistir. Fui procurar ajuda somente quando o corpo não mais aguentou, e eu achando que era só o meu corpo... Estou em terapia e tratamento psiquiátrico, mas muitas vezes tenho vontade de largar os remédios e "viver à própria sorte". Já pensei mil vezes que assim não quero viver, que não vale a pena... Mas ao mesmo tempo que tenho esses pensamentos, também penso que preciso dos remédios, que não consigo mais sozinha, que não tenho mais controle sobre a situação. Estou realmente saturada dessa luta diária contra o TAG... Cansada de crises depressivas, crises de pânico, da minha irritação diária, da minha insônia, da minha gastrite, do meu cansaço corporal e cerebral, de ganhar cada vez mais peso, das pessoas não entenderem como me sinto, de me acharem fraca, de palpitarem, de me dizerem: "tenha força de vontade, a vida é cheia de problemas", entre muitas consequências que o TAG traz consigo... Não consigo mais sequer me recordar de quem eu era antes do TAG, além dos sonhos que eu tinha e que hoje parecem não mais fazer sentido algum.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O início de tudo...

Como começar a falar de algo tão complexo? Fiquei pensando por dias em como explicar o que sinto, já que, para muitos, isso é incompreensível... O que sinto? Sinto dores no corpo, sinto meu estômago gritando, sinto náuseas... Sinto vontade de sumir quando estou no meio de mais pessoas, de correr, de chorar. Tenho pensamentos mirabolantes; se dirijo, me imagino batendo; imagino pessoas com doenças, pessoas morrendo (inclusive eu); tento prever o que pode acontecer de errado comigo e com quem amo, ou com as coisas que convivo; tento imaginar o que as pessoas acham de mim (sempre a parte ruim)... Entre outras coisas. Sinto uma irritação sem tamanho, qualquer coisa é motivo pra eu me irritar. Às vezes bebo demais. Estou sempre tensa, sempre alerta. Não consigo me concentrar para ler um livro, me esqueço de tudo, sempre. Não tenho vontade de levantar e trabalhar. Fico protelando as coisas no trabalho. Tenho tanta insônia que vivo com olheiras. Como e compro feito condenada, tanto que engordei 12 kg. Meu cabelo cai horrores. Enfim... Minha primeira solução foi procurar um clínico geral, que me receitou o medicamento ESC, bem como indicou terapia. Iniciei a terapia... Depois de umas 5, ou 6 sessões, ela me encaminhou para um psiquiatra, com suspeita de depressão. Fui na consulta e voltei com um remédio para dormir (zolpidem) e outro para ansiedade (zoloft). E os resultados? Eu ainda não conseguia dormir de maneira eficaz (sempre acordava durante a noite, apesar de ter um sono menos turbulento, ou ter sono). Inicialmente ele me avisou que em 20/30 dias eu teria uma boa resposta. E o que houve? Após 30 dias senti menos vontade de chorar, mas continuei esquecendo de tudo. Continuei sem dormir direito, com irritação, ansiedade... Enfim, não me resolveu muito. E aí, como boa médica que sou (sou advogada hauahhua), resolvi parar com o medicamento, pois estava acabando e não tinha vontade de voltar no psiquiatra... E então piorou. E as consequências? Não tenho muita vontade de chorar, mas explodo por tudo, meus pensamentos vieram com tudo e minha insônia tb. Enfim, amanhã retorno ao psiquiatra... Muito embora relutante. Vou viver um dia de cada vez, devo ser meio bipolar tb, pois já pensei mil vezes em largar tudo, mil vezes em voltar ao médico, mil vezes que não queria continuar a viver caso continuasse assim... Como não me entrego fácil, eu vou lutar! E quer saber? Vou vencer ;)